Guns N' Roses no Rock in Rio
Reprodução/Twitter

Com quase 40 anos de carreira, o Guns N’ Roses tinha tudo para ser uma banda datada, esquecida pela história. Afinal de contas, em todo esse tempo, são apenas seis trabalhos de estúdio (isso já sendo generoso e incluindo, por exemplo, o polêmico The Spaghetti Incident?).

No entanto, isso não acontece graças à inexplicável quantidade de hits colecionados nesses poucos discos, que sobrevivem muito bem ao teste do tempo. É diferente do que acontece com a voz de Axl Rose, infelizmente, que definitivamente já não é mais a mesma — algo que ficou bastante evidente após a apresentação no Rock in Rio 2022.

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O show na noite desta quinta-feira, 8 de Setembro, foi um dos que recebeu melhor público até agora em toda essa edição 2022 do festival. Fechando o Palco Mundo em sua 5ª vinda para o evento carioca (a última foi em 2017), o grupo se apoiou no talento infindável dos instrumentistas, em especial Slash Duff McKagan, para fazer um show épico.

Como foi o show do Guns N’ Roses no Rock in Rio 2022?

Não é novidade pra ninguém que o retorno de Slash e Duff foi das melhores coisas que aconteceu para os fãs do GNR nas últimas décadas.

Uma banda que havia se tornado sinônimo do que não fazer conseguiu se reencontrar no palco, e isso se reflete em (praticamente) todas as frentes: acima de tudo, a presença de membros fixos e conhecidos faz o público se identificar muito mais com essa versão do Guns N’ Roses, ainda mais depois de anos vendo a banda ser um carrossel de músicos.

Além disso, no entanto, essa reunião também proporciona outras pequenas grandes melhoras, como a pontualidade. Sem poder ser a mesma grande estrela de antes para não ser cobrado por Duff e Slash, Axl se vê obrigado a seguir uma rotina mais regrada e foram apenas cerca de 5 minutos de atraso nessa edição do Rock in Rio.

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Quanto ao repertório, como havíamos adiantado por aqui, o setlist incluiu pelo algumas surpresas: além de uma cover de “Attitude”, clássico do Misfits, com Duff McKagan nos vocais, o show foi o primeiro da atual turnê pelo país a incluir “Patience”, que teve ainda uma cover de “Blackbird”, dos Beatles, na introdução.

De resto, tudo foi praticamente igual ao que foi tocado em Manaus, uma versão reduzida do show de Recife, mas com a presença de “Wichita Lineman”.

Além disso, contou com uma performance espetacular dos instrumentistas, com destaque especial para Slash. A cada nota do músico, a plateia ia à loucura e a coisa beirava a insanidade quando o lendário guitarrista mandava um de seus famosos solos.

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Assim, o enorme público presente no RIR conseguiu curtir o show mesmo que a voz de Axl Rose já não seja igual antigamente.

O vocalista tenta compensar com esforço e presença de palco, e em alguns momentos até consegue acertar notas complicadas; na maior parte do tempo, entretanto, serve mais como um símbolo do que como o cantor de uma grande banda de Rock.

Talvez uma prova disso seja a debandada do público, registrada por diversas pessoas presentes na Cidade do Rock. Claro que o fato do show ser em plena quinta-feira e ter durado mais de 2h30 ajuda para isso, mas é difícil pensar que o público deixaria o local se o vocalista ainda estivesse no auge.

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Ainda que tudo isso seja verdade, vale ressaltar que o mar de gente presente na Cidade do Rock parecia bastante empolgado a cada hit. E não estamos falando só de “Welcome to the Jungle” e “Sweet Child O’ Mine”, mas até de sucessos menores como “Slither”, do Velvet Revolver, e “You Could Be Mine”.

No fim das contas, o que fica provado é que o Guns, da mesma forma que o Iron Maiden, segue sendo uma aposta segura e certeira do Rock in Rio. Tá precisando de show lotado? Chama Axl Rose que não tem erro (mas também não tem voz).

Setlist

  1. It’s So Easy
  2. Mr. Brownstone
  3. Chinese Democracy
  4. Slither (cover de Velvet Revolver)
  5. Welcome to the Jungle
  6. Better
  7. Double Talkin’ Jive
  8. Live and Let Die (cover de Wings)
  9. Estranged
  10. Rocket Queen
  11. You Could Be Mine
  12. Attitude (cover de Misfits, com Duff McKagan no vocal)
  13. Absurd
  14. Hard Skool
  15. Civil War
  16. Solo de guitarra do Slash
  17. Sweet Child O’ Mine
  18. November Rain
  19. Wichita Lineman (cover de Jimmy Webb)
  20. Knockin’ on Heaven’s Door (cover de Bob Dylan)
  21. Nightrain
    Bis:
  22. Patience (com introdução de “Blackbird”, dos Beatles)
  23. Don’t Cry
  24. Paradise City

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