Black Pantera no Rock In Rio 2022
Foto por Diego Castanho / TMDQA!

Às vezes nem parece que é verdade, mas o Rock In Rio está de volta.

Depois de um longo período em que a humanidade precisou se resguardar por causa da pandemia de COVID-19 e o trágico Coronavírus, as aglomerações já são realidade e um dos maiores festivais do planeta retornou à Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.

Quem teve a honra de (re)iniciar os trabalhos nesse Rock In Rio 2022 foi a banda mineira Black Pantera, figura conhecida há tempos aqui no TMDQA! e um dos principais nomes do Rock pesado brasileiro desde 2014.

Como foi o show do Black Pantera no Rock In Rio

Charles, do Black Pantera, no Rock In Rio
Foto por Diego Castanho / TMDQA!

A primeira atração da edição 2022 do Rock In Rio subiu ao palco no seu formato power trio e com guitarras pesadíssimas, baixo e bateria, deu o recado logo de cara com “Padrão é o Caralho”.

A abertura com essa música foi bastante emblemática porque logo de cara deu o tom do que seria o show do Black Pantera no festival, com uma mistura de Punk Rock, Hardcore e Heavy Metal repleta de ativismo e mensagens antirracistas.

A letra dessa música, inclusive, começa clamando que “A coisa tá linda, A coisa tá preta”, e foi revigorante ver diversas pessoas na plateia repetindo o discurso e entendo que a mensagem era importante.

Logo na primeira música as primeiras rodas punk foram abertas e o vocalista e guitarrista Charles Gama foi pra galera antes da pedrada “Taca o Foda-se”.

Nela, o baixista Chaene da Gama convocou todo mundo para “tacar um grande foda-se para o preconceito” e foi atendido antes do trio iniciar uma nova incursão pelo Hardcore que tanto lhe caracteriza.

“Fogo Nos Racistas” é uma faixa que tem seu recado bem claro logo no título e o Black Pantera fez questão de repetir a frase inúmeras vezes, pedindo para que todos entoassem a frase cada vez mais alto. Ao final, não apenas eram ouvidos vários coros de “Fogo Nos Racistas” como também, em alto e bom som, a frase “Hey, Bolsonaro, vai tomar no cu”, que muito provavelmente será repetida inúmeras vezes nesse Rock In Rio.

Antes de convidar a lendária banda pernambucana Devotos ao palco, Chaene ainda falou sobre a importância da representatividade preta em todas as áreas da sociedade e pediu que candidatos pretos sejam chamados aos debates políticos.

Nos últimos dias, o trio foi bastante vocal em suas redes sociais ao falar sobre como o debate presidencial da Band não teve nenhum candidato negro, bem como nenhum jornalista negro.

Devotos no Palco Sunset

Como é comum no Palco Sunset, os encontros começaram cedo e Minas Gerais encontrou o Nordeste brasileiro através da banda pernambucana Devotos, verdadeira instituição do Punk Rock e Hardcore nacionais.

Na plateia era possível ver bandeiras do estado bem como do Santa Cruz, um dos mais populares times de futebol de Recife, e no palco foi histórico ver lendas do Rock brasileiro como o vocalista Cannibal em um espaço tão importante com transmissão ao vivo pela televisão.

Com integrantes das duas bandas reunidos, vieram “De Andada” e “Eu Tenho Pressa”, que trouxeram ritmos diferentes a um show tão diverso.

Após essa sequência, o repertório voltou para músicas do Black Pantera com “Abre a Roda e Senta o Pé” em um dos momentos mais legais de todo show: os músicos convocaram as meninas da plateia para uma roda punk formada só por elas, e a entrega de grupo e público foi marcante.

Homenagem e Cover de Elza Soares

Chaene da Gama, baixista do Black Pantera, no Rock In Rio
Foto por Diego Castanho / TMDQA!

Outro momento incrível foi quando as bandas tocaram “A Carne”, clássico da saudosa Elza Soares.

Como em diversos momentos do show, quando agradeceu amigos, familiares e pessoas próximas, falando sobre as dificuldades de todo rolê, o baixista Chaene exaltou as mulheres negras, a sua família, o falecido pai do baterista Rodrigo, Derli, homenageado com o nome no bumbo da bateria e uma mensagem no palco: “vidas negras importam”.

China, figura importante do hardcore pernambucano e apresentador do Multishow inclusive nesse Rock In Rio, subiu ao palco fantasiado com uma roupa que deveria estar pesando alguns quilos e tornando o calor do Rio ainda mais quente, mas não parou de dançar e acompanhar os músicos na festa.

Ao final, veio o clássico “Punk Rock Hard Core”, do Devotos, e “Boto Pra Fuder”, do Black Pantera, com outra mensagem importante de Chaene, que celebrou o Living Colour e a presença de três bandas pretas no Dia do Metal do Rock In Rio, mas pediu ainda mais diversidade com “bandas indígenas, femininas e feministas”.

Histórico, potente, fundamental e imprescindível em um ano de 2022 tão polarizado e um mundo que parece tão retrógrado.

Obrigado, Black Pantera. Obrigado, Devotos.

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