Don L no Festival CoMA 2022
Foto por Thaís Mallon

Don L, um dos grandes destaques do Rap Nacional, tem consolidado ainda mais seu nome depois de lançar no ano passado o disco Roteiro para Aïnouz, Vol. 2.

Seu novo trabalho segue uma narrativa autobiográfica ao mesmo tempo em que mostra Don refletindo sobre novas histórias possíveis para o Brasil, reforça o talento do rapper e apresenta uma sonoridade mais experimental, com o público podendo encontrar novas vertentes para alguns gêneros como Funk, Soul e MPB. Você pode ouvi-lo aqui.

No primeiro final de semana de Agosto, o músico cearense levou seus poderosos versos e batidas marcantes para o palco do Festival CoMA, em Brasília.

Após o incrível show, Don L conversou com o TMDQA! sobre o seu disco mais recente, comentou sobre o atual cenário do Rap Nacional e destacou a importância de “mais paridade de investimento no Brasil” para que os elementos culturais consigam crescer igualmente em todas as regiões do país.

Confira o papo exclusivo logo abaixo.

TMDQA! Entrevista Don L

TMDQA!: Oi, Don! Prazer falar contigo. No ano passado, o Roteiro para Aïnouz, Vol. 2 foi um dos discos nacionais do ano aqui no TMDQA! — e em muitos outros lugares também. Te colocou em um patamar muito foda como artista, né? Como tá sendo viver essa fase?

Don L: Tá sendo satisfatório, né? A gente vem construindo uma caminhada concreta, concisa, degrau por degrau, sempre mantendo o que eu quero, mantendo a honestidade à minha obra artística. Então, ter esse reconhecimento e retorno agora… cada disco que eu lanço eu cresço um pouco, e isso vem se mantendo, e acredito que vai ser uma constante na minha carreira. O importante é isso: sempre o último disco tem que ser o melhor disco, o que tem mais impacto.

TMDQA!: Não é à toa que demora pra produzir um trabalho como esse, né. Um dos pontos que mais chama atenção no disco novo é obviamente a questão das letras. Em “a todo vapor” temos um ótimo exemplo de como você equilibra temas pessoais com o contexto atual, falando de tudo um pouco e conectando as coisas.

Don L: Eu quis fazer isso nesse disco mesmo. Porque era sobre mim, mas ao mesmo tempo como artista você tem que encarnar o espírito do tempo. E eu tento ser épico, eu tento colocar as grandes questões coletivas nossas enquanto sociedade, enquanto coletivo, em perspectiva com a minha própria história. Acho que é uma coisa que, mesmo que a gente não queira, estamos fazendo toda hora.

Ainda mais nesse momento que a gente recebe uma jorrada de ideologia neoliberal muito forte, que tenta colocar todo o peso no indivíduo, acho que é muito importante agora a gente relativizar mais as coisas, colocar que a nossa história está submetida. A gente é sujeito à história coletiva; por isso eu até prefiro usar a palavra sujeito do que indivíduo. A gente está sujeito a tudo isso e, por isso, tentei colocar em perspectiva no disco.

TMDQA!: E deu certo demais. Bom, você fez um show aqui no CoMA em pleno Dia do Rap Nacional e a gente vê hoje o gênero vivendo muito provavelmente seu melhor momento, cumprindo seu papel como uma ferramenta de falar dessas questões que citamos acima. Queria que você falasse um pouco sobre a importância do Rap pra você.

Don L: O Rap foi o bagulho que fez minha vida fazer sentido, né, mano? Eu não gosto muito de usar esse clichê de “o Rap salvou minha vida” e tal, mas eu acho que se eu não disser isso eu posso dizer que o Rap fez minha vida fazer sentido. Eu uso o Rap pra fazer minha vida fazer sentido, pra trazer sentido pra minha vida. E eu coloco isso nas minhas letras, né? Foi a minha busca, é a coisa mais importante na minha trajetória.

TMDQA!: E, pra fechar, você é um exemplo de um rapper que saiu de Fortaleza, que veio de fora do eixo Rio-São Paulo, um local que tem uma cena tão forte que às vezes é muito deixada de lado. A gente felizmente tem visto cada vez mais nomes vindo de outras regiões, e pra mim fica bem claro que é um monte de artista que só precisa de espaço, né.

Don L: A gente está em um momento um pouco mais democrático no Brasil, as pessoas estão olhando mais pro Nordeste. Mas ainda precisa de muito mais, a gente precisa de mais paridade de investimento no Brasil — não só no Rap. Porque o Rap também é um reflexo de outros pontos como a economia, o PIB do Nordeste que é um dos mais baixos.

O Nordeste precisa de mais investimento em si, como região, pra que a cultura floresça mais. Precisa de mais investimento na cultura porque, apesar de tudo, estamos no melhor momento pra quem faz música urbana — o Rap, esse tipo de música. A gente sempre teve o Forró muito estourado lá, mas isso também uma injeção de dinheiro por trás. Onde você vê música muito estourada, tem uma injeção de dinheiro por trás. Tem alguém investindo grana. Então, o que a gente precisa é de mais investimento em cultura no Brasil e que isso seja melhor distribuído entre as regiões.

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