Turnê Charlie Brown Jr. 30 anos em Brasília
Reprodução/Instagram

O mês de Agosto em Brasília é, todo ano, marcado pela seca. Em 2022, no entanto, a capital federal recebeu pelo menos uma chuva de hits com o show da turnê de 30 anos do Charlie Brown Jr. que aconteceu no último dia 19.

O projeto capitaneado por Marcão Britto e Thiago Castanho, guitarristas da formação original do CBJR, conta com uma escalação de peso para honrar e homenagear os saudosos Chorão e Champignon, relembrados em diversos momentos ao longo do show.

Além de ter dois bateristas que já passaram pela banda, Pinguim Ruas e Bruno Graveto, tocando simultaneamente, a turnê conta com Heitor Gomes no baixo e os vocais ficam por conta de Egypcio, do Tihuana, que faz um excelente papel. O lema do projeto é “respeitar o passado e eternizar o legado”, e é levado ao pé da letra durante as cerca de 2 horas de apresentação.

Logo depois da entrada, quando a banda toca “O Coro Vai Comê”, a empolgação da plateia era notável. Animado, Egypcio não parecia tentar imitar Chorão em momento algum — mas cantava as músicas com maestria e até bastante semelhança, dando a boa parte dos presentes a sensação de estar assistindo a um show “normal” do CBJR quando desviávamos o olhar para figuras conhecidas como Marcão e Thiago.

A performance foi seguindo com um hit após o outro, e é um verdadeiro presente aos fãs que os caras estejam dispostos a tocar por tanto tempo. Afinal, mesmo com quase 40 músicas no setlist, ainda foi possível identificar alguns pedidos do público que acabaram não sendo atendidos — algo natural para uma banda de tanto sucesso como o Charlie Brown.

Turnê de 30 anos do Charlie Brown Jr.

Ao mesmo tempo, é natural que um show tão longo fosse cansando um pouco o público, que durante as músicas mais leves como “Dias de Luta, Dias de Glória” e até “Zóio de Lula” aproveitava para curtir se mexendo menos, descansando das rodas punk que rolavam nas horas mais agitadas, como “Hoje Eu Acordei Feliz” e “Rubão”.

Alguns problemas técnicos também impactaram o show, mas a falta de luz durante algumas músicas, por exemplo, acabou se tornando um momento especial já que a plateia iluminou os músicos. Isso, inclusive, gerou vários agradecimentos por parte destes, que elogiaram o clima criado.

Outro momento marcante, infelizmente para alguns e felizmente para outros, foi a manifestação política contrária a Jair Bolsonaro por grande parte do público.

Mesmo sem qualquer tipo de vaia ou oposição perceptível aos gritos que mandavam o presidente tomar naquele lugar, Thiago resolveu interromper e fazer um discurso para explicar que o Charlie Brown nunca foi uma banda com “apologia à política” e que o foco da noite deveria ser o Rock e a história do CBJR. O público, ao menos visivelmente, pareceu compreender o pedido e seguiu curtindo o show como se nada tivesse acontecido.

Falando em manifestações da plateia, aliás, o vocalista Egypcio foi um dos mais bem recepcionados pela galera presente na prainha da ASBAC e teve até seu nome gritado. Ele chegou a se mostrar emocionado, dizendo que estava contendo as lágrimas e ressaltando em diversos momentos do show que não estava ali para “substituir” ninguém, algo que também foi destacado pelos outros integrantes constantemente sobre o projeto de forma geral.

“Respeitar o passado e eternizar o legado”

Castanho, por exemplo, explicou que tudo que vem sendo feito é uma homenagem ao legado do CBJR e deixou claro que “o Charlie Brown são vocês”, inclusive falando que a banda, enquanto instituição da música brasileira, seguirá existindo mesmo quando ele e Marcão não estiverem mais por aqui.

Isso tudo é reforçado pelas várias homenagens a Chorão e Champignon, tanto por parte do público quanto através dos integrantes, como você pode ver abaixo. Rolam até mesmo alguns momentos em que Marcão e Thiago assumem os vocais e pedem a ajuda do público para apresentar faixas como “Como Tudo Deve Ser” e “Não É Sério”, e bandeiras com os rostos dos integrantes falecidos são apresentadas para os fãs durante o show e colocadas nos amplificadores.

Se a sobrevida do Charlie Brown Jr. é real ou não, acredito que depende da concepção e da opinião de cada um. O fato é que o show de celebração pelos 30 anos da banda surpreende positivamente, passa verdade e, acima de tudo, entretém o público com essa chuva de hits que inundou Brasília.

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