Joe Strummer
Foto: Wikimedia Commons
 

Há exatos 15 anos, em 22 de Dezembro de 2002, Joe Strummer nos deixou.

O músico sofreu uma parada cardíaca em casa e, cedo demais, morreu com apenas 50 anos de idade e quando vinha produzindo muito material através de diversas parcerias com sua banda, o amigo Mick Jones, o Pearl Jam e mais.

Celebramos aqui a vida e a obra de um dos maiores ícones do Rock And Roll relembrando fatos que marcaram a sua prolífica, diversa e contundente carreira desde o início.

Obrigado, mestre!

 

1 – Ele se adaptou e aprendeu com a infância incomum

Joe Strummer no 101ers
Foto: Reprodução / YouTube

John Graham Mellor, nosso querido Joe Strummer, nasceu em Ankara, na Turquia, no ano de 1952.

Ele era filho de uma enfermeira com um diplomata britânico, e por conta do trabalho do pai, nunca teve uma infância “normal”, tendo morado no México, no Egito e na Alemanha enquanto era jovem.

Aos 9 anos de idade, ele e seu irmão, David, foram colocados em um colégio interno e Joe passou os sete próximos anos vendo seus pais apenas uma vez por ano:

Aos nove anos de idade eu tive que dizer adeus a eles porque eles foram para a África ou algo assim. Eu fui para um internato e a partir daí só os via uma vez por ano – o Governo pagava para que eu visse os meus pais uma vez por ano. Eu fui deixado por conta própria e mandado para uma escola onde as pessoas ricas colocam seus filhos ricos. Outra vantagem do emprego do meu pai – era um emprego com várias vantagens – todos os custos eram pagos pelo Governo.

Em 1970 seu irmão, que havia se juntado ao grupo fascista e de extrema direita National Front, se suicidou, e isso teve grande impacto na vida de Strummer.

Ao passar por essas adversidades todas, o líder do The Clash viu muita coisa de perto que iria ajudá-lo a entender o mundo e combater as injustiças através da música.

 

2 – Ele se tornou vegetariano bastante cedo (e continuou assim)

Não estamos entrando na discussão sobre o vegetarianismo ser um lado positivo ou não, mas é importante ressaltar que Joe Strummer parou de comer carne em 1971, quando tinha apenas 19 anos de idade e era bem mais difícil encontrar alimentação alternativa, e continuou mantendo seus hábitos até os últimos dias.

 

3 – Joe sempre celebrou o Rock And Roll

Antes de formar o The Clash, em 1974 Joe Strummer teve uma banda chamada The 101ers, fazendo referência ao endereço do squat onde ele vivia, que ficava na 101 Walterton Road.

O grupo tocava pelos pubs de Londres e fazia covers de bandas norte-americanas de R&B e blues, tudo isso somado às suas influências declaradas que vinham de nomes como Little Richard, Beach Boys e Woody Guthrie.

A banda chegou a compor canções próprias, mas os próximos anos mudariam a vida do músico, que em 1975 pediu para passar a ser conhecido como Joe Strummer, sendo que “strummer” tinha a ver com o modo como ele tocava guitarra em seus shows.

4 – Formação do The Clash

The Clash em 1976
Foto: Reprodução / YouTube

Em 1976 algo incrível aconteceu em Londres quando uma banda então desconhecida chamada Sex Pistols abriu para o 101ers.

Lá Joe Strummer encontrou o empresário Bernie Rhodes e o guitarrista Mick Jones, que tinha outra banda chamada London SS e queria que o músico se juntasse a ele de outra forma.

Nascia ali o The Clash, que ganhou esse nome do baixista Paul Simonon, e ainda completavam o grupo o baterista Terry Chimes e o guitarrista Keith Levene, que deixaria a banda mas formaria o também influente PiL.

O resto é história.

 

5 – Parceria com Mick Jones

Mick Jones
Foto: Wikimedia Commons

A dupla Mick Jones / Joe Strummer certamente não ficou tão conhecida quanto Lennon e McCartney, mas foi fundamental para a história do Rock And Roll.

Juntos, os dois líderes do The Clash que também alternavam os vocais da banda escreveram músicas que ao mesmo tempo em que chocavam com a agressividade do Punk, também faziam as pessoas pensarem a respeito de questões das mais diversas.

Desemprego, abusos da polícia, racismo, repressão política, guerras e mais estavam sempre na pauta da banda em suas músicas e tudo era dito com muita propriedade, já que seus autores iam para as ruas, vivenciavam aquilo sobre o que falavam e não tinham medo de deixar as suas opiniões bem claras ao mundo.

Ao contrário de bandas como o Sex Pistols, que apostavam no choque pelo choque, Joe Strummer sempre fez questão de apresentar com o Clash canções que iam além da crítica pura e simples.

 

6 – Caldeirão de gêneros musicais

Se você pegar a discografia do The Clash irá perceber que nenhum disco é parecido com o outro.

Se o começo foi com o punk rock cru e direto, a banda passou a experimentar com reggae e ska já em London Calling (1979), apresentou um disco triplo conceitual e cheio de experimentações com Sandinista! (1980) e mudou completamente a sonoridade em Combat Rock (1982), adotando o post-punk e a new wave com suas características próprias.

Muito disso é influência de Joe Strummer, que conviveu com diversas culturas desde moleque e incorporou sons da África, Caribe, América do Sul e mais à sonoridade do grupo ao lado dos seus colegas de banda.

 

7 – The Pogues

Após o fim do The Clash em 1986, Joe Strummer passou a experimentar com diversas atividades diferentes.

Ajudou Mick Jones a produzir um disco do Big Audio Dynamite, atuou em alguns filmes de Alex Cox, e compôs músicas para a trilha de filmes como Sid And Nancy.

Com a banda The Pogues, porém, ele teve uma relação especial, já que nunca escondeu que achava Shane MacGowan, líder da banda, um dos principais compositores da sua época.

Em 1987, quando a influente banda de celtic punk saiu em turnê, precisou encontrar alguém para substituir o guitarrista Philip Chevron, que estava doente, e Joe Strummer aceitou o convite na hora. Ele excursionou com a banda e criou um vínculo que apareceria novamente em outros anos.

Em 1990 Strummer produziu o disco Hell’s Ditch e em 1991 substituiu o vocalista Shane MacGowan em uma turnê quando esse deixou a banda.

Há registros profissionais de um desses shows onde o grupo toca, inclusive, o mega hit do The Clash, “London Calling”.

 

8 – Carreira Solo

A carreira solo de Joe Strummer começou oficialmente em 1989 com o disco Earthquake Weather, mas ele não foi muito bem recebido pelo público e o músico acabou até perdendo seu contrato com a Sony após o álbum.

Dez anos depois, em 1999, ele se uniu a uma banda batizada como Mescaleros e aí sim começou o período mais prolífico da sua jornada pós-Clash.

O disco de estreia, Rock Art and the X-Ray Style, foi bem recebido, mas o segundo, Global a Go-Go (2001) colocou definitivamente o nome da carreira solo de Strummer no mapa e ele começou a excursionar e participar de festivais pelo mundo.

No álbum, ele misturou elementos de estilos musicais do mundo todo para fazer folk, reggae, world music e new wave, tudo em um lugar só.

Vale lembrar que ao invés de procurar uma grande gravadora para lançar seus álbuns, o músico preferiu se juntar a alguém que o entendia como poucos: Tim Armstrong, vocalista e guitarrista do Rancid, era também o dono da HellCat Records, e foi pelo selo que os três discos com o Mescaleros vieram ao mundo.

O último, Streetcore, foi um lançamento póstumo em 2003.

 

9 – “Redemption Song” e Johnny Cash

Foi nesse último álbum, Streetcore, que apareceu uma versão belíssima de Joe Strummer para “Redemption Song”, hino de Bob Marley.

A canção foi gravada pouco tempo antes da morte do músico e conta com o produtor Rick Rubin no teclado e piano. Rubin, que vinha trabalhando com outro mestre, Johnny Cash, acabou produzindo uma outra versão onde Strummer e Cash fazem um dueto histórico, lançado na caixa póstuma de Johnny, Unearthed.

 

10 – Seu legado foi celebrado das mais diversas formas

Mural em homenagem a Joe Strummer

Joe Strummer morreu cedo demais, aos 50 anos de idade, em 22 de Dezembro de 2002. Ele foi cremado e seu patrimônio avaliado em 1 milhão de libras ficou com a esposa Lucinda.

Ele sofreu um ataque cardíaco na casa onde morava em Londres, e depois descobriu-se que ele tinha um problema no coração que nunca havia sido diagnosticado anteriormente.

Após sua morte, o músico foi celebrado por vários colegas que vão de Bono, do U2, a Billy Bragg.

Em 2003, o The Clash entrou para o Hall da Fama do Rock And Roll e no mesmo ano, no Grammy, “London Calling” foi tocada por um time de primeira composto por Elvis Costello, Bruce Springsteen, Steven Van Zandt, Dave Grohl, Pete Thomas e Tony Kanal, tudo para homenagear o músico.

Quando morreu, Joe vinha trabalhando no terceiro disco com os Mescaleros, Streetcore, que foi lançado de maneira póstuma. Ele estava escalado para excursionar com o Pearl Jam na turnê de Riot Act, e havia se reaproximado de Mick Jones, alimentando boatos de que o Clash se reuniria pela primeira vez em 16 anos, o que nunca aconteceu.

Um mural foi erguido em homenagem ao músico em Nova York e seus amigos e familiares criaram a Joe Strummer Foundation, conhecida inicialmente como Strummerville, para empoderar jovens ao redor do mundo através da música.

 

Viva Joe Strummer!