Maglore - Todas As Bandeiras
 

ATUALIZAÇÃO: um ano depois o Maglore irá celebrar o aniversário do disco em grande estilo no TMDQA! Convida, na Casa Natura Musical, dia 27/09/2018.

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Eu não preciso dizer, basta você acordar e ler as notícias no Twitter, Facebook ou assistir a um jornal da televisão para saber que estamos vivendo um dos piores períodos dos últimos anos.

Intolerância, ódio puro e simples, corrupção e falso moralismo são apenas algumas das coisas que dominam a sociedade em 2017 e estão em todos os lugares, nos deixando cada vez mais infelizes.

Mas aí existe a arte, existe a música, e existem artistas que não apenas fazem com que tempos assim sejam um pouco menos árduos pra gente como também os questionam e nos fazem pensar a respeito.

E aí há o novo disco da banda brasileira Maglore, Todas as Bandeiras.

Como a dica que já vem do nome, a ideia da banda aqui é unir todo mundo e fazer com que a gente saia dessa juntos, pois pasmem, é possível.

Para tanto, o Maglore aposta em uma viagem, tão presente hoje no rock psicodélico que está na moda mundo afora, mas a faz de forma acessível, com efeitos bem dosados e muitas referências tanto à música brasileira quanto ao rock and roll clássico.

A viagem começa com “Aquela Força” e uma mensagem que poderia muito bem soar arrogante em outro contexto, com a frase “você só vai saber vivendo”, mas aqui aparece realmente como um conselho, um abraço de um amigo que fala que é preciso força, mas que ela fará com que você siga em frente.

“Todas as Bandeiras”, seu swing e o refrão delicioso de cantar mostram o paralelo entre se movimentar e ficar estático. “Eu vou / Eu vou / Eu vou / Eu vou ficar aqui” é o que a banda canta para falar sobre a luta diária do cidadão comum, enquanto “Clonazepam 2mg” é uma confissão pessoal que questiona se “será normal ficar com medo de enlouquecer”, e uma canção com a qual é muito fácil se identificar.

O tom “entorpecente” continua, inclusive, com “Me Deixa Legal” que fala sobre como temos tantos problemas hoje em dia, em casa, no trabalho e na política, e que precisamos escapar de alguma forma. Como não dá pra “ir embora em um traje espacial” como a letra sugere, a saída é uma certa erva que deixa as pessoas mais tranquilas e que definitivamente acompanharia muito bem a audição desse disco.

“Jogue Tudo Fora” tem claras influências da música nordestina e não só dá pra dançar como também pra cantar e devolver aquele abraço lá do começo ao protagonista, já que ele saiu de casa com “5 quilos de roupa e 30 de coragem”, e definitivamente vai precisar da nossa ajuda. A dobradinha aparece com “Hoje Eu Vou Sair” e a viagem psicodélica de quem saiu de casa para dançar. Aqui a gente continua lado a lado com a banda que passa por todos esses momentos distintos e conta com o ouvinte para os momentos bons e ruins.

Um desses maus momentos chega na sequência com “Eu Consegui”, que após duas canções que falam sobre a libertação e a festa, chega à triste conclusão de que o preço de tudo isso foi a perda de um grande amor.

A incursão pela parte da viagem onde o céu está nublado e as fotos ficam feias continua com “Quando Chove no Varal”, seu clima soturno, melancólico e a saudade batendo forte no peito de quem não tem seu amor ao lado.

Mas calma. Como se cantasse pra si mesmo e também desse um baita conselho pra gente, a melhor música do álbum chega com “Calma” e frases como “Calma / O Tempo é o seu melhor amigo / Eu sei que isso não faz sentido agora / Mas calma / Pois nada fica fora do lugar por tanto tempo”.

Com toda cara e jeito de andar de clássicos dos Beatles, é um alento e uma volta às partes mais legais da road trip que vai chegando ao fim com “Valeu, Valeu”, onde a gente se despede agradecendo pela companhia e pronto pra revisitar tudo novamente, como se olhássemos as fotos que foram clicadas durante tudo que passamos desde o início até aqui.

 

Todas as Bandeiras mostra que o Maglore segue firme e forte como um dos nomes mais legais do rock brasileiro, principalmente quando o assunto é misturar elementos do underground com melodias completamente acessíveis.

Como diz a última música, o álbum celebra e nos remete às pequenas coisas da vida como sair pra ver o Sol de manhã, entender que o que não volta já foi e que, se chover, alguém estará lá para nos emprestar um guarda-chuva novo.

Valeu, Maglore!

   
 
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